O ano de 2024 foi marcado por uma redução no número de transações no mercado de M&A (fusões e aquisições) no Brasil, embora tenha havido um aumento no valor agregado das operações. De acordo com dados do TTR Data, o mercado de M&A, Private Equity e Venture Capital fechou o ano com 1.674 transações, somando um montante total de R$ 260 bilhões. Esses números refletem uma queda de 21% no volume de transações em relação a 2023, mas, ao mesmo tempo, indicam um crescimento de 20% no valor agregado, evidenciando uma tendência para transações de maior porte.
O setor de Software de Internet e Serviços de TI foi o mais ativo, seguido pelos setores imobiliário, de Software Específico para Indústrias e bancário. A redução no número de transações nesses setores-chave sugere uma tendência de consolidação, com os investidores adotando uma abordagem mais seletiva e cautelosa quanto à alocação de capital.
No mercado de capitais, o segmento de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) continuou enfrentando desafios, sem nenhum registro de abertura de capital pelo terceiro ano consecutivo. Em contraste, o número de follow-ons (oferta subsequente de ações por empresas já listadas) teve um aumento significativo de 76% em relação a 2023, totalizando R$ 101,7 bilhões em 114 transações. Esse crescimento reflete uma busca mais intensa por recursos e liquidez por meio do mercado de capitais.
Em 2025, as transações em tecnologia e serviços financeiros devem continuar a liderar, com investimentos focados principalmente em inteligência artificial, computação em nuvem, segurança cibernética e blockchain. Contudo, o cenário se apresenta desafiador, com incertezas tanto no contexto internacional quanto no doméstico, o que pode impactar as decisões dos investidores.
No âmbito global, a escalada dos conflitos no Oriente Médio, as mudanças nas políticas fiscal e monetária da China, a troca de presidência nos Estados Unidos e a valorização do dólar são fatores que geram preocupação e instabilidade nos mercados. Esses eventos têm reflexos diretos nas expectativas de crescimento econômico mundial e no mercado global.
No Brasil, o aumento da taxa SELIC, que atualmente está em 14,25% e que segundo projeções do boletim Focus pode alcançar 15% até o fim de 2025, tem impactos significativos para a economia. O custo mais elevado do crédito tende a desacelerar a atividade econômica, com reflexos diretos no consumo e nos setores de serviços e comércio varejista. Além disso, a atratividade dos investimentos em renda fixa tende a crescer, dada a maior rentabilidade sem grandes riscos, o que pode afetar a captação de recursos no mercado de ações.
A instabilidade fiscal e política também continua a ser uma preocupação, com a falta de clareza em relação a reformas essenciais e a evolução do quadro fiscal do país. Esse cenário contribui para o aumento da desconfiança entre os investidores, que buscam maior segurança e previsibilidade em seus investimentos.
Em resumo, 2025 deve ser um ano de cautela e adaptação, com um cenário de maior aversão ao risco, especialmente em um contexto de elevada taxa de juros e incertezas políticas e econômicas tanto no Brasil quanto no exterior. Para empresas e investidores, será essencial monitorar de perto os desenvolvimentos globais e domésticos, bem como adotar estratégias que equilibrem risco e retorno, focando em ativos de maior qualidade e com boas perspectivas de desempenho a longo prazo.

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