Por Bruna Camargo
São Paulo, 27/03/2025 – A qualidade das carteiras de recebíveis comerciais dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) apresentou uma certa estabilidade ao fim de 2024, após sofrer com uma deterioração do crédito nos primeiros meses de 2023 e ver uma ligeira recuperação em seguida. Apesar do movimento, a expectativa é de um cenário “desafiador” para a classe de ativos em 2025. A avaliação consta em um estudo especial elaborado pela Austin Rating e disponibilizado em primeira mão ao Broadcast Investimentos .
“Com o aumento da taxa básica de juros, a probabilidade de calote aumenta. Como esperamos que a taxa terminal da Selic seja em torno de 15%, isso deve afetar um pouco a qualidade da carteira de crédito dos FIDCs”, avalia Erivelto Rodrigues, presidente executivo (CEO) da Austin Rating. Ele observa que boa parte desses fundos é indexada ao CDI, com a necessidade de ter uma carteira que rentabilize em linha com o indicador.
O índice de inadimplência, calculado pela divisão dos atrasos acima de 90 dias pelo total da carteira, teve “incremento importante” no período analisado pela Austin Rating, descreve o estudo. O número subiu de 3,5% ao final de janeiro de 2023 para 5,6% ao final de dezembro de 2024, mas seguindo uma trajetória descendente a partir do ápice de 7,8% registrado em outubro de 2023. Além disso, o volume de atrasos acima de 15 dias registrou variação de 70,4%, de R$ 442,4 milhões em janeiro de 2023 para R$ 754 milhões em dezembro de 2024.
Por outro lado, Rodrigues destaca que o volume de provisões para devedores duvidosos (PDD) constituído pelas administradoras dos FIDCs “teve forte acréscimo de sua participação sobre o saldo da carteira conjunta”, segundo a Austin Rating, passando de 6,4% para 9,6% no período da análise. “Os fundos estão constituindo provisionamento para as perdas até superior ao que está em atraso acima de 90 dias, então eles não devem ter problemas”, destaca o executivo.
O estudo da Austin Rating analisou o comportamento da qualidade das carteiras de direitos creditórios de 100 fundos que são monitorados pela casa. Os FIDCs que compuseram a amostra foram exclusivamente aqueles com lastro em recebíveis comerciais (predominantemente duplicatas) e caracterizados por serem multissetoriais e com risco pulverizado entre diversos Cedentes e Sacados, ou seja, os FIDCs multicedente e multissacado, também conhecidos por “FIDCs Multi”.
Expectativa de crescimento dos FIDCs
De acordo com o estudo, o valor conjunto das carteiras de direitos creditórios dos FIDCs que compõem a amostra do estudo cresceu 28,2%, passando de R$ 6,7 bilhões em janeiro de 2023 para R$ 8,6 bilhões em dezembro de 2024. Para Rodrigues, isso mostra um crescimento do setor e a projeção da Austin Rating é que, nos próximos cinco anos, o número de cotas de FIDCs emitidas deve dobrar.
“As empresas que têm recebíveis utilizavam o sistema bancário tradicional, mas elas descobriram que com a securitização e com o instrumento de FIDCs, as taxas são menores. Isso facilita a desintermediação financeira do mercado, é algo bom”, diz Rodrigues.

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