O agronegócio brasileiro tem se consolidado como um dos pilares da economia nacional, e o crédito rural desempenha um papel fundamental nesse cenário. Em 2025, observamos mudanças significativas nas políticas de financiamento agrícola que merecem uma atenção.
A recente decisão do governo que primeiro suspendeu e depois limitou os recursos para o Plano Safra pode, à primeira vista, causar apreensão para empresas do agronegócio. No entanto, essa medida pode ser vista como um passo em direção a um mercado mais livre e competitivo.
Sem o subsídio governamental, instituições financeiras e mercados de capitais serão incentivados a se modernizar e oferecer condições mais atrativas para atender à demanda por crédito no agronegócio. Além disso, essa mudança alivia os cofres públicos, o que contribui para um ajuste fiscal mais eficiente.
É importante notar que pequenos produtores de subsistência continuam amparados pelo Pronaf, enquanto médios e grandes produtores, que já operam no mercado, deverão se adaptar a essa nova realidade.
Qual desenho desse novo cenário do crédito agro?
A transição para um mercado menos dependente de subsídios pode, inicialmente, elevar os custos e exigir um período de adaptação. Por outro lado, essa mudança é necessária para alinhar o setor às realidades econômicas atuais. Médios e grandes produtores rurais são empresários que devem buscar eficiência e competitividade sem depender de auxílios governamentais.
Embora possam enfrentar desafios na obtenção de crédito em condições favoráveis no curto prazo, é esperado que bancos e mercados de capitais rapidamente ajustem suas ofertas para atender a essa demanda crescente. Vale ressaltar que o crédito subsidiado pelo governo era limitado e não contemplava todo o setor, o que indica um potencial de expansão e modernização das opções de financiamento disponíveis.
O papel dos Fidcs no financiamento do Agro
Nesse contexto de mudanças, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) multicedentes e multissacados estão bem posicionados para absorver a nova demanda por crédito. Empresas de insumos para o ramo agro, como defensivos agrícolas e fertilizantes, podem encontrar nos FIDCs uma alternativa viável de financiamento.
Com a evolução do mercado de FIDCs no Brasil, impulsionada pela Resolução CVM 175 e pela modernização do setor, há uma expectativa de aumento significativo de recursos disponíveis para irrigar a cadeia de crédito do agronegócio.
O que esperar então para o crédito agro do futuro?
A expectativa é de que o mercado agro ganhe ainda mais força com novas fonte de financiamento, e passem a depender cada vez menos de subsídios do governo. Com instituições financeiras desenvolvendo produtos mais sofisticados e alinhados às necessidades dos produtores rurais, essa evolução pode levar a um ambiente de crédito mais competitivo e eficiente, beneficiando todo o setor agropecuário brasileiro.
A transição para um modelo menos dependente de subsídios é um passo importante para a sustentabilidade e competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global. No entanto, a capacidade de adaptação dos produtores e a resposta das instituições financeiras serão determinantes para o sucesso desse futuro.
Autor: Volnei Eyng
Fundador e CEO da Multiplike, uma gestora de recursos com 25 anos de história e mais de 30 bilhões de crédito cedido.
Sócio benemérito da ABRAFESC;
Graduado em Administração e Economia;
MBA na HSM Management em Gestão de Negócios;
MBA em Macroeconomia.
